30 de janeiro de 2008

MINISTRA DA CULTURA

Sai um erro de casting e entra, sem casting, uma "pessoa culta, que se interessa pela música e pela leitura". Bom, pior não pode ser. Tivesse também desaparecido o sinistro secretário de estado e entrado alguém competente para o lugar dele e estaríamos todos mais confiantes.
Pode ser, mas à primeira vista, parece-me uma escolha de engenheiro: para a cultura vai um tipo simpático que goste dessas coisas e não se importe de perder um ano ou dois a ir à abertura do S.Carlos. Sobretudo, um que não faça o chefe de família perder tempo com excentricidades e saiba que o lugar da Cultura é no salão. Ali, onde as damas sorriem coquetes por detrás dos leques de seda.
Já estamos habituados.Se fosse alguém que nos desse esperança é que seria de admirar.

ps: afinal, o senhor da ópera também se foi embora. Veio uma chefe de gabinete, ou coisa parecida, de não sei onde para o lugar. Obrigado pela sua visão para a Cultura, senhor engenheiro.

2 comentários:

Anónimo disse...

Respeito o direito à opinião para todos os que a queiram dar. Posso discordar dessa opinião, mas deve existir espaço para ela. Só me espanta uma coisa no seu blogue que esporadicamente visito. Já reparou que noventa por cento das suas entradas possuem crítica não construtiva aos mais variados tipos de alvo? Criticar é saudável e necessário para avisar consciências mais distraídas, mas crítica sem exemplo de solução é apenas um exercício de destruição e, caso o assunto mereça realmente ser criticado, destrói-se ainda mais o que já está destruído.

O caro possidónio aponta muitas vezes o “portuguesismo” nos seus textos. Como escritor, por certo entende que é necessário colocar-se de fora e analisar o próprio trabalho. Já o fez com o seu blogue? É que acaba por cair na armadilha desse mesmo “portuguesismo” que tanto critica.

Não considere este comentário um ataque pessoal ou o espelho de qualquer rancor guardado. Por vários textos seus que li considero-o uma pessoa inteligente e com uma óptima capacidade de observação e análise. Não seria melhor aproveitar essas capacidades e a sensibilidade emocional para fazer alguma diferença? Para não se tornar apenas em mais um crítico (que só na blogosfera abundam aos milhares) fotocopiado? Acho que tem essa capacidade e, porventura, só ainda ninguém criticou isso em si, mas de forma construtiva.

Permita-lhe dar um exemplo de uma entrada sua recente:
“Acontece que o pivô-escritor vive um momento em que acredita não precisar da RTP. Que a venda dos seus livros o manterá de boa saúde financeira para sempre. Que continuará a interessar os mesmos milhares de leitores ad aeternum “
Entende o que digo? Observa como eu palavras cheias de cinismo atiradas a Rodrigues dos Santos? Que goste-se ou não do que escreve e como escreve terá o seu livro com uma edição volumosa nos Estados Unidos e, provavelmente, uma passagem para o cinema feita por grandes estúdios com actores e realizadores de categoria A (os que levam pessoas às salas mundialmente em grande número só por terem o nome impresso no cartaz e trailer)? Não é isto um exemplo claro de não ser “português” e ir mais longe?

Peço apenas, humildemente, que faça uma reflexão. Que não ceda ao primeiro instinto de ignorar porque se sente atacado. Sinta isso. Mas depois, a frio, pense novamente sobre este texto.
Repito, não é um ataque, é um gesto com boas intenções.

Um grande abraço
José Pires

P. C. disse...

Há muita razão no seu comentário.
Sou portuguesíssimo na oscilação entre o entusiasmo e o nacional-depressivo :)
Apenas duas correcções. Uma, o prazer_inculto não é "trabalho", para mim. Não tem qualquer outro objectivo que não seja o de "pensar alto", isto é, reflectir enquanto escrevo. É por isso que fico muitas vezes sem registar nada, já que não me ocorre nada de positivo e, de negativo está o país cheio.
Sobre o caso de "sucesso" do pivô de telejornal que refere, não me entenda mal. J. R. dos Santos escreverá o que lhe apetece, nas horas vagas ou em outras, pagas por nós todos, isso não vem ao caso. Deve as suas vendas, na minha opinião, ao facto de estar na televisão todos os dias e escrever coisas que vão no rasto dos bestsellers. Serve a indústria do entretenimento e faz muito bem. Não estamos a falar de literatura, sendo isso uma outra discussão.
Ganha a sua vida bem, por razões circunstanciais, tal como outros comentadores televisivo. Ainda bem para eles. Só não sejamos ingénuos ao confundir uma compra de direitos por um agente americano com o recebimento de um Óscar. Desejo-lhe, o maior sucesso, embora fique mais orgulhoso ao descobrir um pequeno livro de poesia desprezado numa das nossas livrarias, onde um dos nossos extraordinários poetas vivos, escreveram frases vindas do nada e que brilham mais do que qualquer rodapé de telejornal.
Um abraço e obrigado pelo seu comentário.